Por
João do Valle
Adj. Trino Otalevo.

Foto: Tia Neiva
(Acervo do Adj. Amayã)
- Várias pessoas me disseram que o ano de 2008 passou muito rápido. Bem, não concordo. Para dizer a verdade, não gosto de anos passando rapidamente. Tenho tanto por fazer ainda, tantos sonhos e metas...
- Quero mais tempo, mais anos, para melhor aproveitar esta oportunidade terrena e não voltar a percorrer estas estradas que não levam a lugar nenhum, em um mundo sem futuro, meramente cíclico, simplesmente cármico.
- Mas é deste garimpo gasto que vim arrancar riquezas fundamentais, transportáveis além, e não posso voltar de mãos vazias, de coração como d'antes. Eis nenhum dos meus anos passando rapidamente, pois todos os dias que os compõem são caros e têm de ser profícuos; preciso que sejam. Não os quero rápidos, mas objetivos e suficientes. Ainda me sinto tão aquém dos espíritos luminosos com os quais pretendo conviver após a morte...
- Daí não cabe deduzir que vivo de trabalho em trabalho, pelos templos do Amanhecer, querendo intercâmbios mais longos nos retiros e trabalhos oficiais também nas terças e quintas-feiras. Sequer entendam que tal seria um meu desejo irrealizado, o meu projeto de aposentadoria. De forma alguma. Quem me conhece sabe que já fui fanático, mas me curei.
- Devemos ir ao encontro da vida e nela nos encontrarmos, pelo permissivo na mensagem "de que adianta morrer, se não acreditais na vida eterna". E eu questiono a valia da vida eterna para um sofredor, prisioneiro das vibrações negativas, tanto quanto a utilidade dos anos terrenos multiplicados de um homem irrealizado.
- Apenas a possibilidade de, um dia, quando menos se espera, ocorrer uma mudança radical, a proverbial evolução, justifica o próximo momento da existência desistidamente amargurada. Mas as possibilidades, mais cedo ou mais tarde, se esgotam. A Estrela Candente para o desencarnado de negatividade irreversível, a inveja e a solidão, até a morte material, para o encarnado frustrado consigo mesmo. São sinas de raras reversões.
- Certa vez assisti a um filme no qual um idoso fracassado olha para uma foto sua, jovem e de olhar esperançoso, e diz: - Trai a você, garoto!
- Quantos traem assim?
- Há uma fórmula protetiva para tanto perigo de o tudo dar em nada: O equilíbrio. Desculpem se revisito um tema recente nos meus escritos, mas é que parece nunca ser suficiente alertar, debater e refletir sobre algo tão importante.
- Em minhas aulas, ao tratar dos três reinos da natureza dos seres encarnados, costumo perguntar aos alunos se estão vendo as próprias orelhas, ou os próprios corações, ou o ar que respiram.
- Ante as inevitáveis respostas negativas, acrescentava que nem por isso poderiam duvidar que tais componentes das suas vidas existiam, funcionavam, estavam disponíveis. Logo, tanto fazia falar em pulmões e em interoceptível, ou aura, ou cassandras.
- O argumento funcionava. Com as atenções conquistadas e alguma credibilidade disponibilizada, ensinava sobre as cassandras nas nossas auras, ou balões, em número de sete.
- Todos nós nascemos com uma cassandra positiva e seis negativas. A maioria dos encarnados permanece com tal conta até o fim da sua passagem terrestre. É o mínimo positivo indispensável, pois a encarnação depende de uma centelha crística, uma concessão de Jesus, o administrador do planeta.
- Conforme vamos nos espiritualizando, aceitando a existência de um "mundo invisível, de onde uma multidão nos assiste expectante", e adotando atitudes que não nos envergonham perante a platéia, nem decepcionam os que de nós esperam, vamos mudando a conta de cassandras positivas. Um encarnado equilibrado possui três cassandras positivas, quatro negativas.
- Quatro positivas provocam um desequilíbrio chamado de sublimação. A pessoa começa a se achar divina, salva, superior. Diz que já trabalhou muito mediunicamente, não precisa mais, ou que só precisa fazer um ou outro trabalho mais refinado, como presidir retiros, consagrações, reuniões. Entra numa de "vinde a mim os que têm sede de sabedoria". Vive a contar histórias do que já fez ou viu de sensacional. Só que não está fazendo grande coisa por agora. Aliás, se não mudar, também não vai fazer mais nada de relevante, pois o quadro invoca o leilão.
- No leilão, o indivíduo é levado, geralmente durante o sono, ao Anfiteatro, no Canal Vermelho, onde Ministros decidem, após ouvirem seus cobradores e mentores, se adianta insistir em uma encarnação que já parou de produzir e, pior, está prejudicando ao que está sendo avaliado e às outras pessoas com quem mantém laços físicos e etéricos.
- Por vezes, o leiloado nem acorda mais, morre dormindo. Ou acorda e ainda fica uns dias por aqui, quase sempre meio esquisito, fora do normal, até ser atropelado, ou enfartar, o necessário para a "máquina parar", pois o destino já estava decidido e o fim marcado. Vale reler "Sob os Olhos da Clarividente" sobre as probabilidades de reversão.
- O fanatismo não tem a ver com as cassandras. É um desequilíbrio espiritual de fundo psíquico, uma interpretação equivocada dos objetivos encarnatórios. Um fugitivo da realidade adversa, que tenta obter das relações com outros crentes as realizações que não logrou alcançar no trabalho, na escola, no casamento etc. A pessoa vai trocando a vida comum pela vida religiosa, enquanto encarnado, como se não tivesse vindo aqui, neste mundo, para viver a vida da terra, com intensidade, expansão e disponibilidade.
- O fanático não é um sábio incompreendido, nem muito menos um missionário esquisito, mas apenas um desequilibrado que, se encontrar espaço, enrola e prejudica um bocado de gente. Bem, dos fanáticos todos nós entendemos, especialmente quem tem um chato assim no círculo de relacionamento pessoal.
- Doenças espirituais, como a esquizofrenia de órus, ou de origem espiritual, como a epilepsia, apresentam esperanças de cura ou mitigação significativa nas linhas gerais da cura desobsessiva. A sublimação e o fanatismo, todavia, dependem bem mais do desequilibrado perceber que está errado e corrigir a si mesmo.
- Por exemplo: Eleva-se o padrão vibratório, se ganha bônus, passa-se na Junção; bem pode ocorrer a liberação de um elítrio. Mas o sublimado acha que a Junção funcionou só porque contou com a sua participação, enquanto o fanático acha que uma Junção só não dá nem para o começo, precisando de no mínimo sete, por sete semanas seguidas de preferência.
- Desequilíbrios no padrão vibratório e na inclinação do interoceptível podem ser corrigidos rapidamente, por simples mudança na conduta doutrinária, às vezes bastando evitar certos pensamentos negativos, ocupando-se com atividades mais elevadas. Mudar toda uma forma de viver, exageradamente materialista ou espiritualista, é bem mais complicado e, decerto, demorado. Por vezes não dá tempo, o corpo físico falha, os sinais vitais se auto descartam, a oportunidade acaba.
- É mais ou menos como controlar a relação alimentação-malhação antes de ficar obeso, pois, depois, para emagrecer novamente é lento e sofrido. Escapa do engorda-emagrece (efeito ioiô) quem muda o modo de pensar sobre a comida e a atividade física, não apenas o comportamento, bem mais volátil.
- O mesmo acontece na separação das nossas cassandras em positivas e negativas. É todo o conjunto dos nossos pensamentos, sentimentos e ações que importa, não apenas as parcelas boas ou ruins das nossas sagas terrenas. As cassandras refletem quem somos realmente.
- Fazer o quê? Viver como um espírito passageiramente encarnado ou como um encarnado consciente da espiritualidade?
- A meu ver, como um encarnado consciente da rica e disputada oportunidade de engrandecimento espiritual que está tendo, especialmente em cada vez que se relaciona com os demais encarnados e deles consegue obter uma vibração positiva, não importa para quem.
- Não deixe que a sua vida (a encarnação atual) seja só uma existência terrena. Existir, meramente, até uma planta ou um animal o faz, mesmo sem ter consciência disso. Faça da sua vida um passo avante na eternidade: obtenha a admiração fraterna e o respeito não temeroso dos encarnados e dos desencarnados. Quem o admirar e respeitar neste mundo - e não se sentir traído - também o admirará e respeitará no outro.
- - Lembre-se de Numara! O desequilíbrio pode ser contagioso. Fique atento para não se envolver em grupos de comportamentos e objetivos diferentes daqueles do seu espírito, para não se tornar uma marionete nos dedos hábeis dos que, simplesmente, têm outras missões, por outras razões. Muito cuidado com aqueles que invocam títulos do passado para lhe escravizarem, mas que, hoje, não são melhores do que você. Não julgue, não condene, apenas não participe do que não concorda. Sem vibração, nada se realiza no Amanhecer.
- Em decorrência, doutrine ou se mantenha a distância segura, sem se deixar explorar ou contaminar, nas relações inevitáveis com aqueles que usam da religiosidade alheia para amealharem riquezas mundanas não revertidas majoritariamente em caridade e difusão doutrinária; para se imporem soberanos em vaidades e caprichos; para conquistarem prazeres destinados a outros; para aceitarem, quando não os exigem, sentimentos que não geram, apenas consomem.
- Alguns dos nossos companheiros de jornada têm heranças transcendentais realmente úteis para a invocação das energias de que precisamos nos nossos trabalhos, mas não conseguiram ainda entenderem bem a Doutrina do Amanhecer. São úteis, mas perigosos.
- Permita-se ser doutrinado apenas por aqueles que o conquistarem pelo amor, pela tolerância e pela humildade que lhes transborda dos espíritos bondosos e caridosos, naturalmente cativantes e encaminhadores para a luz. Aqueles cuja fé é tamanha que contagia e empolga além das mesquinharias deste mundo. Que se calam quando nada de bom têm para falar dos seus irmãos (eis um bom indicativo do verdadeiro caráter de uma pessoa).
- Lembre-se que o missionário constrói evoluções espirituais, moradas eternas nos íntimos dos seus discípulos; o fanático constrói templos de pedra fria para espíritos vazios, como nos ensinou São Francisco de Assis. Os templos são ferramentas, instrumentos, meios, não fins em si mesmos.
- Contamine-se com a dignidade. Torne-se seguidor e multiplicador daqueles que se abstém das intrigas, das trocas de favores duvidosos e das politicagens interesseiras dos velhos palácios, que alguns de nós insistem em reerguerem dos escombros sobre os quais não se deve mais edificar, na lição indeclinável de Pai Seta Branca.
- Assim, pela benção de Deus, oxalá, você chegará, naturalmente, a ser um líder espiritual pelo qual valerá a pena ser liderado; um guia que não perderá "o caminho, a verdade e a vida" ensinados pelo Divino Mestre. Como encerramos nossas chaves ritualísticas: uma consciência iluminada, santificada algum dia.
- Não se preocupe com as suas cassandras, nem com as dos outros. Cuide da sua conduta doutrinária e dos seus relacionamentos com os demais, que o equilíbrio será mera conseqüência.
- Um mestre equilibrado e harmonizado, em uma cabala, pode mudar bem mais do que a própria realidade. Um ser humano justo, generoso e razoável convida, em cada atitude, em cada manifestação, os seus semelhantes à evolução.
"Jesus, eu me elevo até Vós e todo o nevoeiro se esvai!"
Ah! E um feliz e longo 2009 para todos nós.
- Salve Deus!
João do Valle
Adj. Trino Otalevo.
Brasília, 17 de janeiro de 2009
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